A caderneta de poupança é o investimento mais lembrado e usado pelos brasileiros. A pesquisa Raio X do investidor brasileiro 2022, feita pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), mostra isso em números: entre as pessoas que têm alguma aplicação financeira, 23% colocam seu dinheiro na poupança. Apesar da queda em relação a levantamentos anteriores, os números mostram que a poupança vem mantendo a liderança como principal destino dos investimentos. Mas por que esse tipo de aplicação se mantém no topo das preferências?
A simplicidade para abrir uma conta poupança e efetuar saques e depósitos, a segurança, a possibilidade de fazer o resgate a qualquer momento e a ausência de cobrança de impostos e taxas são alguns dos fatores que ajudam a poupança a continuar sendo a aplicação mais querida dos brasileiros.
Além de ser isenta de Imposto de Renda e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), os bancos não cobram tarifas por sua manutenção. Já a segurança do investimento está ligada à proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que assegura a devolução do dinheiro, até um determinado limite, em caso de quebra da instituição financeira.
A criação de um investimento simples e acessível para a população era justamente o desejo do seu idealizador, Dom Pedro II. Em 1861, ele fundou a Caixa Econômica Federal e instituiu a caderneta de poupança, com rendimentos de 6% ao ano. Ou seja, a poupança existe há quase 140 anos.
Algumas modificações foram introduzidas nessa aplicação ao longo tempo. Uma delas foi a correção monetária, em 1964, cujo objetivo era evitar que a inflação “comesse” seus rendimentos. No final da década de 80, em meio às grandes altas da inflação, aconteceu outra mudança importante: a poupança ganha uma “data de aniversário” – ou seja, os poupadores passam a esperar 30 dias para ver seu dinheiro render.
Em 1991, na tentativa de conter o ciclo que alimentava a inflação, o governo criou a Taxa Referencial, mais conhecida como TR, que até os dias de hoje remunera a poupança.
A regra dos 6% ao ano, que vigorava desde sua criação por Dom Pedro II, deixou de existir em 2012. A partir dessa data, o rendimento passa a ser atrelado à meta da taxa Selic, como você confere logo abaixo.
Quem tem poupança anterior a esta data está rindo à toa, porque a regra dos 6% + TR é válida até hoje. Nesse caso, o poupador obtém rendimentos muitos superiores aos de outros investimentos atualmente.
A rentabilidade da poupança está atrelada a dois indicadores da economia, a Taxa Selic e a Taxa Referencial (TR). Os valores depositados são remunerados conforme com as seguintes regras:
1. Quando a Selic está acima de 8,5% no ano: 0,5% ao mês, mais a Taxa Referencial (TR).
2. Quando a Selic é inferior a 8,5%: 70% da taxa Selic, mais a Taxa Referencial (TR).
A Taxa Selic (sigla de Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é a taxa básica de juros da economia brasileira. É definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, o Copom, e serve de referência para a remuneração de boa parte das aplicações financeiras e para a definição dos juros que os bancos cobram ao emprestar dinheiro a seus clientes. Já a Taxa Referencial (TR) é usada nas correções da poupança e de outros investimentos, como a previdência privada e os títulos públicos.
Atualmente (novembro/2022), a Taxa Selic está em 13,75% ao ano, portanto, vale a primeira regra: 0,5% ao mês mais TR. Já a Taxa Referencial (TR), que estava zerada desde 2017, passou a ser atualizada pelo Banco Central no início de 2022. Até outubro, a taxa acumulava rentabilidade de 1,27% no ano. Com isso, este ano, o rendimento acumulado da poupança deve ficar um pouco acima dos 7%.
Tudo vai depender de como a inflação se comporta. Em 2022, a projeção do mercado financeiro é que o país termine o ano com a taxa de inflação em 5,8%. Se o cenário de inflação sob controle se mantiver em 2023, a poupança seguirá garantindo a correção do valor aplicado acrescido de uma pequena margem de rentabilidade.
O rendimento da poupança é calculado mensalmente e é creditado na data de aniversário, ou seja, no dia em que você fez o depósito. Se ele foi feito no dia 1º, o rendimento será depositado sempre no dia 1º, enquanto o dinheiro estiver lá. Por isso, fique atento às datas de depósito e retirada. Se você fizer o depósito nos dias 29, 30 e 31, a data de aniversário da sua caderneta será o próximo dia 1º. Quando a data de aniversário cai no final de semana ou feriado, o dinheiro é remunerado no próximo dia útil.
Se você colocou R$500,00 na poupança no dia 5 de janeiro e precisou sacar R$200,00 no dia 30 de janeiro, não receberá rentabilidade pelos R$200,00, mas somente pelos R$300,00 que ficaram aplicados o mês inteiro.
Portanto, programe-se para fazer movimentações somente após a data de aniversário. Se ela for dia 5, faça saques ou transferências a partir do dia 6. Embora tenha liquidez diária, ou seja, você pode retirar o dinheiro a qualquer hora, fique atento às datas para que ele possa voltar ao seu bolso só depois de ter engordado um pouco.
Leia a matéria Os juros, a inflação e o seu bolso para entender como os juros compostos beneficiam quem poupa. Muitos bancos oferecem a possibilidade de programar os depósitos por meio dos caixas eletrônicos, atendimento presencial ou internet banking. Veja como o Investimento programado funciona e use e abuse dessa ferramenta.
Se você não pode esperar um mês para ter acesso ao dinheiro, já acrescido de juros, uma opção é ter mais de uma data de aniversário. Basta, para isso, fazer depósitos em datas diferentes e sacá-los somente após o aniversário. Você pode ter poupanças que vencem nos dias 1º, 10, 20 e 30, por exemplo. Assim, terá a oportunidade de melhorar seus ganhos. Sempre que você for movimentar a poupança, o banco irá considerar o aniversário vencido para que você não perca rentabilidade.
Se para pessoas físicas a caderneta de poupança oferece os benefícios da isenção de taxas, para empresas, as regras são diferentes. Em primeiro lugar, porque a “data de aniversário” da poupança Pessoa Jurídica é trimestral, e não mensal. Além disso, há também a incidência de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos, de acordo com a tabela regressiva abaixo:
A poupança pode ser uma boa opção para empreendedores que não buscam liquidez imediata, ou seja, que não precisarão movimentar a conta nos três primeiros meses. Mas, em função da incidência de IR, ela é menos vantajosa do que para a pessoa física. Nesse caso, vale uma conversa com o gerente do seu banco para estudar outros investimentos que sejam mais rentáveis para sua empresa.
Assim como outros tipos de investimentos, a caderneta de poupança é assegurada pelo Fundo Garantidor de Créditos, que é uma organização que tem a responsabilidade de manter a saúde do ambiente financeiro no País. Caso o banco onde você tem a aplicação quebre, o FGC restitui o dinheiro. Esta garantia é válida para valor máximo de R$250 mil por pessoa (e por instituição). Se você tem R$250 mil em poupança no Banco A e R$250 e na poupança do Banco B, o FGC é obrigado a devolver os R$500 mil.
Fonte: Meu Bolso em dia