A inflação, os juros e o seu bolso

A inflação, os juros e o seu bolso

Como a alta da taxa Selic afeta o custo do crédito e seus investimentos em um período de inflação elevada.

A inflação é o resultado do movimento de oferta e procura de produtos e serviços. Imagine, por exemplo, que a produção de feijão tenha sido muito alta. Os produtores levam o feijão ao mercado para vender, mas as pessoas não conseguem comprar tudo o que é produzido – a oferta é maior do que a procura. Por isso, sobra feijão e os produtores precisam diminuir o preço. Quando a maioria dos preços cai, a inflação diminui. Ao contrário, quando todo mundo quer comprar algo que está em falta – a procura é maior do que a oferta –, os preços sobem e a inflação aumenta.

Mesmo quando o índice geral da inflação está sob controle, os preços de alguns produtos sobem mais do que outros, devido às oscilações de mercado. Se o preço da carne subir e o do feijão cair, por exemplo, a média geral pode ficar mais baixa, pois a carne não é consumida tão frequentemente quanto o feijão. Mesmo assim, para as famílias que comem carne todos os dias, a sensação é de inflação alta.

Dinâmica dos juros: para que serve a Selic

Para segurar a inflação e evitar que os preços subam ainda mais, o Banco Central aumenta a Selic, que é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela serve como referência para as demais taxas de juros que os bancos cobram quando você usa o crédito, como o rotativo do cartão e o cheque especial.

Em 2016, por exemplo, quando a inflação chegou a 10% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumentou os juros, e a Selic chegou a 14,25%, uma das mais altas da história. Depois, a taxa viveu um período de queda acentuada e, em 2020, atingiu o menor patamar (2%) desde a sua criação.

Em 2021, voltou a subir. Começou o ano em 2%, bateu a casa dos 4,25% em junho e, em outubro, já estava em 7,75%. Em 8 de dezembro, o Copom elevou a taxa para 9,25%. Tudo para conter a demanda de consumo e, assim, controlar a alta da inflação, que fecha o ano em 10,18%, de acordo com a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Como os juros altos afetam o seu bolso

Crédito mais caro

Um dos efeitos da pandemia foi o aumento na inadimplência, o que elevou as taxas de juros do crédito, assim, quem precisa de financiamento ou empréstimo paga mais caro pelo crédito tomado. Com as taxas de hoje, por exemplo, uma pessoa que comprar um celular de R$ 500 no cartão de crédito e ficar um ano sem pagar a fatura irá acumular uma dívida de R$ 2.346,60 ao final de 12 meses, considerando uma taxa de juros de 369,32% ao ano (Fonte: Banco Central).

Melhor rendimento nos investimentos

As taxas de juros elevadas são ótimas para quem investe, pois o rendimento das aplicações cresce. Com a Selic em 9,25%, aplicando 500,00 no Tesouro Selic 2024, por exemplo, após 30 meses, você terá R$ 762,97, já descontado o imposto de renda. 

O novo patamar de juros influencia o rendimento da poupança e logo vem a pergunta: com a Selic em 9,25% ao ano, vale a pena voltar a pôr dinheiro na poupança? Toda vez que a taxa Selic fica acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês, ou 6% ao ano, mais a Taxa Referencial, que no momento é de zero.

Ou seja, o rendimento da poupança cresce, mas ainda continua perdendo muito da inflação (10,18% ao ano). Por isso, é bom pesquisar outras opções de investimentos, olhando três aspectos: a rentabilidade prometida, a taxa de administração cobrada e os impostos que incidem sobre a aplicação.

A poupança tem um atrativo que é a isenção de imposto de renda e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Mas, mesmo descontando essas taxas, há aplicações que apresentam melhor rentabilidade. Entenda melhor como funcionam os impostos sobre investimentos financeiros.

Mas e a inflação?

E se o preço do celular subir? É aí que está o pulo do gato: quando muita gente resolve esperar o preço baixar antes de comprar, ele acaba caindo mesmo. Lembra da lei da oferta e procura? Se tiver muito celular em oferta, só resta aos vendedores reduzir o preço. E com dinheiro no bolso, fica mais fácil para você negociar.

Então, fica a dica… 

Pense bem antes de comprar e aproveite as taxas de juros a seu favor, adiando aquelas compras não tão urgentes e investindo o seu dinheiro. Assim ele rende mais e você mantém seu bolso em dia.

Fonte: Meu Bolso em dia

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